Explorar para se inspirar

Na semana seguinte à primeira exploração a mãe vai buscar o filho ao colégio a horas decentes e já tem tudo planeado: Levar o filho ao parque em frente a casa para ele poder gastar as ditas energias a andar de trotineta (enquanto a mãe descansa no banco do jardim, claro)! Digam lá que o plano não é maravilhoso? Um 2 em 1, e as mães que levam os filhos ao parque são boas mães como toda a gente sabe.

Mas o filho tem outros planos: “Quando vamos explorar outra vez?” Pergunta a meio do caminho. “Para a semana”, responde a mãe prontamente, “hoje queres ir ao parque?”. Era óbvio que ia querer!

“Não!” “Vamos explorar hoje!” ” Vá lá!” A mãe sabe que a culpa daquele pedido é dela e que até tem tempo para o levar! Depois de lhe explicar como está cansada e que para a semana têm um dia com mais tempo acaba por dar razão a quem a tem, o filho! Já a poucos metros de casa, volta para trás na rotunda…o que vale é que no Alentejo tudo é já ali…

Chegando ao ponto mais alto da cidade aproveitam a vista maravilhosa, o filho segue pistas, desenha mapas, descobre caminhos, escala, enterra bolotas, faz a mãe subir e descer mais uns metros do que tinha planeado: “É só mais um bocadinho; é só até ali!” Claro que sim…

Há muito que explorar, o filho explica que tem que se “inspirar”. Para quê é o que a mãe quer saber, talvez para preparar uma actividade com as dela (nada como sermos o exemplo dos nossos filhos). Mas afinal precisa de inspiração para fazer o que gosta de fazer: maquetas (a última que fez foi de um carro, o que o poderia inspirar por ali? Um moinho?).

Mãe e filho não são os mais dotados para o desenho, mas com paus na terra todas as ilustrações são uma obra de arte (embora a mãe não perceba logo que ali está um pinguim…mas só porque não tem os óculos com ela).

No fim do passeio a mãe tem que saber: “Já te inspiraste para a tua maqueta?”

“Já!”

“E o que vai ser?”

“Eu e tu!” O filho responde não percebendo porque a mãe fazia uma pergunta que tinha uma resposta tão óbvia!

“Então para que precisaste de vir aqui?” (novamente uma pergunta de quem não estava atenta).

“Vou-nos fazer aqui neste sítio!”

E que sítios maravilhosos são todos aqueles em que partilhamos o tempo com os nossos filhos.

Já exploraram esta semana? Nós já…é já ali…